| News - Matéria: As Três luzes Vermelhas (3RL) e o seu retorno | por wesley_fg2 |
Aconteceu. As famigeradas três luzes vermelhas, ring of death, 3RL ou 3 Red
Lights, como você quiser chamar, finalmente deram as caras no meu querido
videogame de próxima geração. Agora confira um relato de como tudo ocorreu.

Durante a última semana, estava jogando bastante o Conan e vários problemas de
leitura estavam acontecendo, o que estranhei, pois meu 360 não travava há
muito, muito tempo. Parecia que era algum problema com o CD, pois sempre
acontecia em telas de loading. Até agora não sei se estava relacionado, mas
enfim...
No último domingo, dia 2 de dezembro, estava eu me divertindo com Guitar Hero
II quando o console travou. Ok, desliguei e liguei de novo e travou na
inicialização. Gelei. Respirei fundo e liguei de novo. Dessa vez carregou o
jogo e achei que o pior tinha passado. Mas travou de novo. E ao religar, lá
estavam elas, gloriosas. Liguei novamente e carregou normalmente. Decidi deixar
o console desligado por um tempo e tentei de novo. A cena se repetiu. Às vezes
carregava, às vezes não. Até que finalmente, as luzes monopolizaram o aparelho.
Dei uma pesquisada na internet e aparentemente todo mundo que conserta Xbox 360
em São Paulo está na região da Santa Ifigênia. Peguei o telefone de algumas
lojas e do suporte técnico oficial da Microsoft. Segunda de manhã, liguei para
a pequeno-e-mole e fui atendido por um sujeito que falava tão enrolado que eu
mal conseguia entendê-lo. Parecia não ser um falante de português nativo, o que
acrescentou à bizarrice da situação.
Perguntei o endereço da assistência técnica e ele perguntou qual era o
problema. Falei das três luzes vermelhas, ele perguntou a cor da luz da fonte e
eu respondi. Ele disse que o console seria trocado por um novo sem custo nenhum
e eu fiquei sinceramente surpreso pela garantia estendida do console valer
também para o Brasil. Mas não poderia ser tão simples, pois isso só valeria se
meu videogame fosse o brasileiro. Como é estadunidense, eu também poderia
trocá-lo, mas precisaria enviá-lo para os Estados Unidos e esperar alguns meses
até que a troca fosse feita. Sem condições, só o preço do envio já custaria o
conserto. Até sugeri que o console fosse arrumado aqui e que eu pagasse por
ele, tudo para que eu pudesse fazer as coisas de forma oficial, sem precisar
apelar para a galerinha do centro de São Paulo, mas ele disse que não tinha
jeito, eles só podem dar suporte para o console nacional.
Ao contrário de como costuma ser com os telemarketers brasileiros, o moço da
batata quente na boca foi bem solícito, paciente e até pediu desculpas pelo
inconveniente. Disse que pode ser que a Microsoft permita a troca de consoles
americanos no futuro, mas que até o momento esse é o procedimento que ele pode
informar ao cliente. É uma atitude ridícula da Microsoft e, até onde sei,
ilegal, pois se o produto existe aqui, ela tem que dar suporte a ele,
independente de onde o cliente comprou. Poderia ir ao Procon, mas isso levaria
meses e, sinceramente, não quero ficar tanto tempo sem videogame.
O próximo passo então era ligar para uma das lojas da maldita Ifigênia (que,
aliás, não existe um consenso se é escrita assim ou “Efigênia”, até as placas
da própria rua variam a grafia – coisas que só acontecem no Brasil). Escolhi a
loja que me parecia mais profissional e liguei. O cara perguntou o código do
erro. Hein?
Aparentemente, tem um código secreto que você faz no aparelho para ter mais
informações sobre as três luzes vermelhas. Fiz o código e o cara disse que era
o erro 0022, problema na GPU e que não tinha conserto. Completou dizendo para
eu não acreditar em quem dissesse que poderia consertar.
Liguei para outra loja, que me explicou que esse código diz apenas onde está o
erro, mas que ainda assim pode ser coisa simples. Ou seja, sabemos que é um
problema na GPU, mas pode ser apenas uma pecinha que saiu do lugar. Ok, isso
faz sentido para mim. Deixei meu console com eles e pediram o prazo de sete
dias para o orçamento.
Algumas coisas me preocupam nessa história:
1 – O console vai ser mexido para o conserto. Isso não vai fazer com que eu
seja banido da Live? Pelo que me falaram não, pois eles banem apenas alterações
no software.
2 – Como o console vai ser aberto por uma assistência técnica não autorizada,
eu provavelmente vou perder a garantia estendida, caso a Microsoft decida fazer
a coisa certa um dia e trocar os aparelhos defeituosos estadunidenses
residentes no Brasil.
3 – E se eu conserto e o mesmo erro aparece de novo? A internet está cheia de
relatos de pessoas que consertaram e que depois de algum tempo voltou a
acontecer. O cara disse que é difícil e que a loja dá garantia de seis meses
para o serviço. Considero isso um bom tempo de garantia e mostra que eles
confiam no seu taco. Ainda assim, não quero ter que passar por isso uma vez por
ano.
Pensei em abandonar o console de vez e comprar um dos outros dois, mas poxa, eu
tenho uns 20 jogos originais de 360, o que é um investimento considerável no
bichinho. Além disso, ainda tem mais três jogos a caminho e já pagos, um deles
o Guitar Hero III com a guitarra sem fio. Pô, comprar jogos e não poder jogar
nunca é uma droga. Sem falar toda a grana que eu investi no bichinho.
Sou contra a pirataria, mas isso dá vontade de desbloquear e não investir mais
nada nele. Afinal, eu tenho o console original, tenho nota fiscal da Wal-Mart
estadunidense, o que mostra que não é contrabando, tenho conta Gold na Live e
mais de 20 jogos. E ainda tenho um site que trata sobre games na internet e que
é acessado por centenas de milhares de pessoas mensalmente. A meu ver, eu sou
exatamente o tipo de consumidor que a Microsoft deveria querer manter. Até
porque eu estava disposto a pagar para que eles consertassem, apesar da
garantia estendida. Mesmo fazendo tudo certo, a gente se ferra. Por que tudo no
Brasil tem que ser mais difícil?
Quando meu videogame voltar, eu atualizo isso aqui para dar mais informações a
outros desesperados. Às vezes me surpreendo com quão bonzinho eu sou. Até lá,
incentivo todos a espalharem esse texto pelos fórums e demais áreas da internet
para levá-lo ao maior número de pessoas posível.
Atualizada 1 – 4/12/2007 – 12:45: ((Até uns meses atrás, todo mundo que conheço
que tinha um 360 estava feliz com ele. Desde então, parece que todos os
consoles morreram, como se a Microsoft tivesse mandado que isso acontecesse. É
muita morte no mesmo período, coincidência demais. Ainda hoje, encontrei com um
colega em uma cabine cujo console também morreu. Ontem falei com outro colega
que disse que seu videogame morreu, foi consertado e, dois meses depois, morreu
de novo.
A Microsoft coloca um produto bichado no mercado. Demora meses para perceber o
problema e finalmente assume, mas por que não fazer a coisa certa? Se um
brasileiro comprou o console nos States, isso não significa que ele não deve
receber suporte. Principalmente quando lembrarmos que o 360 nacional não é
fabricado aqui, nada mais é do que o americano importado oficialmente. A minha
opinião é que, uma vez que a besteira está feita (colocar algo podre no
mercado), uma empresa deveria fazer o possível para compensar o consumidor
prejudicado, não ficar criando regrinhas estúpidas para deixá-lo ainda mais
incomodado. Fiz as contas e, entre controles extras, guitarras de brinquedo e
meus mais de 20 jogos, investi mais de 2 mil dólares no meu 360, tudo em
produtos oficiais e legalizados, absolutamente NADA de contrabando.
Provavelmente iria continuar gastando essa quantia até o final dessa geração, o
que mostra que não é uma atitude financeiramente inteligente da Microsoft
impedir que eu conserte meu videogame. Ah, e além de tudo isso, eu tenho o
poder de contar esses problemas para centenas de milhares de brasileiros que
acessam o DELFOS mensalmente e que fazem parte EXATAMENTE do nicho que a
Microsoft atinge com seus videogames. Desnecessário dizer que muito lerão esse
texto e vão acabar indo para a concorrência para evitar sofrer esse tipo de
problema. Sinceramente espero que a Microsoft reveja sua atitude e faça a coisa
certa com os consumidores brasileiros. Falando por mim, eu nem estou bravo com
isso, mas me sinto extremamente desrespeitado, sobretudo depois de falar tanto
aqui no DELFOS sobre o console, indicando-o como o melhor da geração atual e
pregando contra a pirataria.))
Atualizada 2 – 4/12/2007 – 13:50: ((Acabo de enviar um e-mail para a assessoria
de imprensa do Xbox 360 para ver se consigo algo. Eles têm tradição de não
responder nossos e-mails (os do Judão também não), provavelmente por achar que
quem joga videogame é espectador assíduo do Jornal Nacional, não de sites como
o DELFOS. Se tiver uma resposta, colocá-la-ei neste espaço.))
Atualizada 3 – 4/12/2007 – 14:50: Recebi uma resposta da assessoria dizendo que
vão encaminhar a questão à Microsoft.
Atualizada 4 – 6/12/2007 – 10:15: ((Recebi um novo e-mail da assessoria
questionando o que falo acima sobre a “tradição em não responder nossos e-
mails”, dizendo que responderam prontamente quando receberam o anterior. Ok,
isso é verdade. Você pode ver pelos horários das últimas atualizadas que menos
de uma hora se passou entre o primeiro e-mail e a primeira resposta. A tradição
a que me refiro acima são os vários e-mails que mandei para eles entre os
lançamentos no Brasil dos jogos Forza e Halo 3. Como nenhum foi respondido
nesse período (apenas o primeiro, que respondi de volta e que então não foi
respondido), desisti de contatá-los até agora. A pessoa que me respondeu disse
que eu posso sempre entrar em contato com ele a partir de agora, então faço
votos que nossa relação com a assessoria de imprensa do Xbox 360 seja tão
frutífera de agora em diante como a que temos com as outras assessorias. E, é
claro, que esse problema do videogame seja resolvido.))
Após o contato com a assessoria da Microsoft, eles disseram que iriam me
ajudar, mas pediram para eu não colocar isso no site, pois seria uma exceção.
Não falaram para eu tirar o texto (até porque isso seria ilegal), nem nada
assim e foram realmente simpáticos e amigáveis.
Como eu falei no texto em questão, na ocasião de sua publicação, meu Xbox 360
estava em uma loja da Santa Efigênia, para orçamento. A assessoria sugeriu
cuidar do envio do meu videogame para os EUA e me disseram que em 10 dias úteis
eu estaria com ele novinho em folha. Como a gente sabe, ele estava na garantia,
o problema é que a garantia é local e eu tinha comprado o console através de
uma revenda estadunidense autorizada (nada de contrabando ou ilegal). Assim, eu
teria a garantia lá, mas não aqui no Brasil. A Microsoft, portanto, ajudaria
apenas com o transporte, já que enviar por conta própria, pelo correio, além de
não ter garantia de retorno, iria sair mais caro do que se comprasse outro.
Eles sabiam desde o início que o console já tinha sido aberto para orçamento e
essa ajuda foi uma proposta deles que eu, é claro, aceitei.
Combinamos de virem aqui em casa pegar a ordem de serviço da “assistência
técnica” que estava com o console e em seguida irem lá buscar. O
“transportador” que veio aqui me mostrou a to do list dele que continha algo
tipo “pegar na Sta Efigênia número X e levar para a número Y”. Isso me deixou
um tanto inseguro, mas o cara me garantiu que se referia a outra coisa. De
qualquer forma, me preocupou o suficiente para citar este detalhe aqui e deixar
possíveis conclusões para o leitor.
Eles pegaram o console e me confirmaram que estava tudo encaminhado. Assim, os
10 dias úteis passaram e nada. Depois de um grande atraso, finalmente a pessoa
da assessoria que estava cuidando do caso, teve alguma informação sobre meu
querido videogame moribundo. Ele disse que o videogame estava aberto, mexido,
com sei-lá-o-quê na placa e que por causa disso não iriam consertar. Mas, hein?
O.o
Até o momento em que eles pegaram o console na Efigênia, o cara nem tinha me
passado um orçamento. Ele provavelmente tinha aberto, mas não tinha autorização
para modificar nada. Ainda assim, não tinha nada que eu poderia fazer. É
possível que o cara tenha realmente bichado meu videogame ou quem sabe até ele
tenha sido levado para o tal outro número da rua que o bichou de vez. Como não
posso acusar nenhuma das partes com certeza, embora tenha achado tudo deveras
estranho, agradeci a ajuda da assessoria, que sugeriu que eu comprasse um
nacional. Na época, o nacional nem HDMI tinha, e custava o triplo do que
custaria se pegasse um Elite importado de forma particular e legalizada, como
fiz com o outro. Disse para o nosso amigo que estava considerando pegar um
Elite. Ele então disse que, se desse algum problema, para eu entrar em contato
com ele antes de qualquer coisa, pois tentaria me ajudar.
Isso me tranqüilizou e, embora eles não tenham cumprido a parte deles na
promessa (de arrumar o console), resolvi cumprir a minha e não atualizar mais o
texto em questão. Aliás, isso foi essencial para eu ter decidido comprar OUTRO
Xbox 360, ao invés de um PS3. Em algum momento de janeiro de 2008, já estava
com o meu Elite com o milagroso chip Falcon (ou seria uma placa? Sei lá, isso é
indiferente aqui), lutando para esquecer o trauma dos meses sem videogame, mas
com bastante receio de que acontecesse de novo.
Pois aconteceu. Sábado, 28 de junho de 2008. O demo de Lego Indiana Jones
apareceu na Live e o baixei imediatamente, pois era o próximo jogo que queria
comprar. Baixei e, uns dois minutos depois de começar a rodar, a tela ficou
cheia de pontinhos. Desesperado, desliguei o bicho, esperei alguns segundos e
liguei de novo. Apareceu na tela a mensagem “E74, contate a Microsoft”. Ao
mesmo tempo, a única luz vermelha que não acende nas 3RL (a do quarto
quadrante), piscava em vermelho. Esta é a página da Microsoft sobre o problema.

Como era sábado, e só podia contatar a assessoria na segunda, dei uma
pesquisada. Pelo que encontrei em fóruns, é um problema de vídeo, que poderia
ser do cabo ou do console. Testei com o cabo do console morto e deu na mesma.
Ou seja, era do console. Ou seja, meu Xbox 360 Elite com fabricação de novembro
de 2007 e o milagroso Falcon confirmado, deu 3RL em uns cinco meses (o anterior
pelo menos durou um ano). Ou melhor, deu 1RL. Falei com uma assistência técnica
e o cara disse que esse 1RL é um erro típico do Elite com placa Falcon (para
facilitar a redação, vamos supor que seja uma placa). O cara ainda disse que
constantemente pega Falcons para arrumar. E pior: quando dá 3RL no Falcon,
segundo o cara, é pior, mais difícil de arrumar, e mais caro. Ou seja, não tem
jeito. Falcon ou não Falcon, o Xbox 360 ainda é o videogame mais bichado da
história.

De qualquer forma, estava relativamente tranqüilo. Da outra vez, quase sem
contato prévio, a assessoria da Microsoft me ajudou (ou pelo menos tentou).
Dessa vez, o console nunca tinha saído da minha casa (ou seja, não foi mexido
nem aberto por ninguém), estava também na garantia e eu já sabia até com quem
falar na assessoria. Entrei em contato com o nosso amigo, que me agradeceu por
falar com ele antes de qualquer coisa, pediu para mandar um e-mail descrevendo
o problema e disse que iria falar com a MS e me retornaria.
Há muito aprendi que não se pode confiar em brasileiros. A coisa mais comum por
aqui é alguém dizer que pode contar com ele e, na hora que você realmente
precisa, dá para trás. Por causa disso, quando recebi a resposta, não me
surpreendi ao dar de cara com uma negativa, dizendo que a Microsoft avaliou meu
caso e não pode fazer nada por mim.
Ainda tentei conversar com ele, ver se não podia fazer alguma coisa, sugeri
comprar apenas o console nacional com garantia, já que não preciso de HD (tenho
dois!), controles (tenho três) cabos (já tenho dois de cada) e muito menos os
jogos do Kit nacional. Ele disse que falaria com a empresa para ver o possível
e me retornaria sem falta até quarta, 9 de julho. Este texto está sendo escrito
na quinta, 10, e até agora (e o momento desta publicação) – grande surpresa! –
nada.
Neste ponto, quero deixar claro uma coisa: a assessoria da Microsoft em nenhum
momento foi antipática ou grosseira comigo (assim como o atendente da empresa
também me tratou muito bem quando liguei para lá, conforme relatado no texto
anterior) e eu até acredito que eles tentaram ajudar da forma que podiam em
ambas as vezes. Só que, como assessoria, o máximo que eles podem fazer é
intermediar e, se a Microsoft não quer ajudar (veja bem, não é que não pode, é
que não quer, pois é óbvio que eles têm como arrumar ou trocar o console sempre
que quiserem), não tem muito que eles possam fazer além de tentar controlar os
danos do cliente em meio à imprensa.
Ok, as leis de garantia não EXIGEM que eles consertem ou resolvam os problemas
de clientes que compraram algo no exterior, mas também não impedem. Qualquer
pessoa com um pouco de maturidade (ou um semestre de marketing básico) sabe que
muitas vezes é melhor fazer algo que você não é OBRIGADO a fazer para deixar
outra pessoa – no caso, um cliente que gastava bastante em produtos originais –
feliz. Ainda mais no caso da Microsoft, que já está com sua imagem fragilizada
graças ao fato de ter colocado um produto prematuro e problemático no mercado.
O resultado é que eu estou com dois Xbox 360 comprados legalmente (inclusive no
segundo paguei mais de 400 reais em impostos de importação – e ainda assim saiu
metade do preço do kit nacional), algumas dezenas de jogos originais (inclusive
alguns bem caros – só em Rock Band paguei mais de R$ 1.000,00) e uma conta Gold
na Xbox Live, onde estou constantemente comprando músicas e jogos Arcade. Como
disse no texto anterior, a meu ver eu sou exatamente o tipo de cliente que a MS
deveria querer manter. Eu gasto bastante investindo no meu console, pois faço
questão de ajudar a indústria dos games a crescer aqui no Brasil. E isso deixa
ainda mais doloroso quando, apesar de tudo isso, quando você precisa de algo
tão simples, eles simplesmente cospem na sua cara.
Ah, sim. E eu sou jornalista, talvez a profissão que mais mereça o subtítulo de
“formador de opinião”. E eu tenho um site. E esse site é acessado por bastante
gente. E esse “bastante gente” é EXATAMENTE o público-alvo da Microsoft em
relação à linha de produtos Xbox 360. Sem falar que muita gente me considera
entendido no assunto e me procura para ajudar a decidir qual videogame comprar.
E mais, nossa linha editorial é 100% parcial. Ou seja, eu – e qualquer outra
pessoa – posso dar aqui minha opinião sincera sobre qualquer produto livre das
amarras da grande mídia que depende de anunciantes.
Essas são coisas que deveriam ter sido analisadas pela Microsoft. Talvez a
mixaria que ela gastaria arrumando meu problema devesse ter sido encarado como
um investimento, pois sem dúvida é inferior aos danos que um texto como esse
pode causar. Claro, não estou tendo delírios de grandeza. A Microsoft é a maior
empresa do mundo e deve até saber o que significa FNORD. Qualquer dano que o
DELFOS cause nela vai ser mínimo (e eu nem quero causar danos, estou escrevendo
este texto apenas para responder às dúvidas do público). Ainda assim, são
maiores do que os de um cliente normal. Afinal, além de eu ser um cliente
normal e honesto, que investia uma boa quantia mensal no seu videogame, ainda
tenho condições de falar a boa parte do público-alvo da empresa. E tenho
certeza que algumas pessoas que lerem isso vão pensar duas vezes antes de
comprar seu Xbox 360 – e os que já compraram, principalmente achando que o tal
Falcon resolveria tudo, vão ficar com uma pulga atrás da orelha.
Agora que contamos tudo que aconteceu, vamos à parte opinativa e aos passos
para o futuro. A Microsoft perdeu completamente a minha confiança, não apenas
nos videogames, mas em absolutamente qualquer produto. Eu tenho hoje um teclado
e um mouse da marca, mas se um dia quebrarem ou derem problemas, eu sem dúvida
vou preferir comprar um Logitech para substituí-los.
Quanto ao videogame, eu devo arrumá-lo em alguma assistência técnica não
credenciada (ou faço isso ou uso o bicho como peso de papel), mas nunca mais
vou comprar absolutamente nada para ele, nem jogos, nem acessórios. No dia
seguinte ao problema relatado aqui, comprei um Wii e é possível que compre um
PS3 no futuro para atender minhas necessidades mais hardcore. Contudo, meu Xbox
360 será usado a partir de agora apenas para jogar o que eu já tenho.
Além disso, sempre que alguém me consultar para saber qual comprar, a dúvida
vai ficar entre o PS3 e o Wii (nem nas gerações futuras vou indicar ou
considerar comprar algo da MS). A Sony pode não estar nem aí para lançar seus
videogames por aqui, mas pelo menos não cuspiu na cara de um cliente fiel duas
vezes!
Gostaria de tranqüilizar aqueles que já fizeram a besteira de comprar um 360 (e
de comprar um monte de jogos originais), mas tudo que tenho a dizer é: senta e
chora, meu amigo. O que você tem ligado na TV é uma bomba-relógio. Aproveita
enquanto pode e recomendo não gastar mais nem um centavo nele. A questão não é
SE ele vai quebrar, mas QUANDO. Pelo menos se for o nacional, você vai poder
arrumá-lo repetidamente durante três anos (todo mundo que conheço nessa
situação tem que mandar o console de volta a toda hora, de tanto que ele
quebra), embora depois disso seja por sua conta. Se você importou por conta
própria, como eu: danou-se, pois a MS não se importa com seus clientes a não
ser que a lei a obrigue a repará-los. Como a gente ficou nessa brecha de
desamparados, somos obrigados a chorar mais ainda, mesmo não tendo feito nada
de errado, nem legalmente nem moralmente. Se seu console for contrabando, aí é
outra história. É um produto ilegal e pronto, mas não é o meu caso e também não
conheço ninguém nessa situação.
A taxa de falha divulgada do produto é de altíssimos 30%, mas isso é
praticamente fictício, pois na vida real está próximo é de 100%. Eu conheço
muita gente que tem o 360 (a maioria, infelizmente, por indicação minha).
Nenhum deles teve o console livre de defeitos por mais que um ano. Os poucos
que ainda têm o bicho em perfeito estado de funcionamento (como o Homero, aqui
do site), compraram o dito-cujo há poucos meses. E veja o meu caso: dois
consoles mortos em menos de um ano e meio. Sabe quantos Mega-Drives, Saturns e
Master Systems eu comprei, em quase 20 anos de jogatina? Um de cada! E todos
eles ainda funcionam perfeitamente e são ocasionalmente ligados para uma sessão
nostalgia! De nada adianta jogos legais se a máquina quebra em poucos meses.
Infelizmente, essa minha postura de não comprar mais nada de Xbox 360 vai se
refletir também nas matérias delfianas, pois vou ficar impossibilitado de jogar
e peço desculpas aos proprietários do console, ao mesmo tempo em que prometo
fazer o possível para tentar compensar isso (nem que seja jogando os games em
outras plataformas, quando estiverem disponíveis). O lado bom é que você pode
esperar um aumento considerável de resenhas e notícias de jogos do Wii e, no
futuro, até de PS3. Pois se até o momento, o DELFOS, como um todo, se
manifestava a favor do Xbox 360 em detrimento dos outros (aqui e aqui, por
exemplo), isso vai mudar – e qualquer um é capaz de compreender o valor de um
apoio espontâneo como este, que a Microsoft se esforçou tanto para jogar fora.
Como um site opinativo (e considerando que opiniões são mutáveis), temos
direito de fazer isso. Hoje vamos apoiar os outros em detrimento do Xbox 360,
simplesmente porque me recuso a continuar investindo dinheiro para ajudar na
divulgação de uma empresa que coloca produtos inacabados no mercado e não se
importa em reparar seus erros ajudando os clientes honestos.
Só é importante ressaltar que isso não é um boicote. Caso tenhamos acesso a
novos jogos do console que mereçam ser resenhados (vai que alguém faz uma
doação ou se o público participar com seus próprios textos), eles serão
publicados. Para falar a verdade, temos mais umas duas resenhas já prontas de
jogos para o console, que vão sair de qualquer jeito. Da mesma forma, uma ou
outra notícia sobre o bicho ainda deve aparecer por aqui, assim como jogos de
grandes franquias, como o GTA, que apenas serão analisados em suas outras
versões.
De forma alguma esse texto deve ser encarado como uma vingança contra a
Microsoft, pois não é o caso. Até porque tenho noção da minha insignificância
em meio ao império do Bill Gates. Encare isto apenas como um cliente
insatisfeito expondo sua opinião para centenas de milhares de amigos que, por
acaso, são exatamente o público-alvo do produto. Por outro lado, como
jornalista com um público interessado (como fica claro pelas dezenas de e-mails
semanais sobre o assunto que recebo), me vejo na obrigação de contar esta
história. A meu ver, adiei muito para tornar o assunto público.
Com isso, coloco um ponto final nisso tudo e bola pra frente. Se acontecer mais
alguma coisa, esse texto será atualizado, mas não espere por isso. Como sempre,
incentivo os delfonautas a espalharem o link desta matéria internet afora para
que mais pessoas tenham acesso à situação. Inclusive, em nome da nossa famosa
Imparcialidade Parcial, vou enviar este link para a assessoria da Microsoft
(pois acho importante que tenham conhecimento da existência deste texto) e, se
a empresa quiser um direito de resposta, terei prazer em publicá-lo neste
espaço ou em criar um arquivo específico para isso. Então se mantenha
delfonado!
Atualizada 1 – 4/8/2008: Mais um defeito apareceu no meu Xbox 360, já
“arrumado”. Ele agora não conecta mais na Live, pois não reconhece que o cabo
de rede está conectado. Segundo a assistência, teria que trocar a peça, mas ele
não tem como fazer isso, pois precisaria pegar a dita-cuja de outro Falcon.
Como meu falecido console anterior não é Falcon, eu não posso utilizá-lo nem
para isso.
Atualizada 2 – 3/12/2008: Só para colocar um ponto final na história. Algumas
semanas depois de arrumado, o E74 voltou. Arrumou de novo e voltou de novo.
Finalmente, o técnico disse que não tinha jeito e me devolveu o dinheiro. Ou
seja, o E74 é um problema sem solução, o máximo que dá para fazer é voltar a
funcionar por mais um tempinho.
Lights, como você quiser chamar, finalmente deram as caras no meu querido
videogame de próxima geração. Agora confira um relato de como tudo ocorreu.
Durante a última semana, estava jogando bastante o Conan e vários problemas de
leitura estavam acontecendo, o que estranhei, pois meu 360 não travava há
muito, muito tempo. Parecia que era algum problema com o CD, pois sempre
acontecia em telas de loading. Até agora não sei se estava relacionado, mas
enfim...
No último domingo, dia 2 de dezembro, estava eu me divertindo com Guitar Hero
II quando o console travou. Ok, desliguei e liguei de novo e travou na
inicialização. Gelei. Respirei fundo e liguei de novo. Dessa vez carregou o
jogo e achei que o pior tinha passado. Mas travou de novo. E ao religar, lá
estavam elas, gloriosas. Liguei novamente e carregou normalmente. Decidi deixar
o console desligado por um tempo e tentei de novo. A cena se repetiu. Às vezes
carregava, às vezes não. Até que finalmente, as luzes monopolizaram o aparelho.
Dei uma pesquisada na internet e aparentemente todo mundo que conserta Xbox 360
em São Paulo está na região da Santa Ifigênia. Peguei o telefone de algumas
lojas e do suporte técnico oficial da Microsoft. Segunda de manhã, liguei para
a pequeno-e-mole e fui atendido por um sujeito que falava tão enrolado que eu
mal conseguia entendê-lo. Parecia não ser um falante de português nativo, o que
acrescentou à bizarrice da situação.
Perguntei o endereço da assistência técnica e ele perguntou qual era o
problema. Falei das três luzes vermelhas, ele perguntou a cor da luz da fonte e
eu respondi. Ele disse que o console seria trocado por um novo sem custo nenhum
e eu fiquei sinceramente surpreso pela garantia estendida do console valer
também para o Brasil. Mas não poderia ser tão simples, pois isso só valeria se
meu videogame fosse o brasileiro. Como é estadunidense, eu também poderia
trocá-lo, mas precisaria enviá-lo para os Estados Unidos e esperar alguns meses
até que a troca fosse feita. Sem condições, só o preço do envio já custaria o
conserto. Até sugeri que o console fosse arrumado aqui e que eu pagasse por
ele, tudo para que eu pudesse fazer as coisas de forma oficial, sem precisar
apelar para a galerinha do centro de São Paulo, mas ele disse que não tinha
jeito, eles só podem dar suporte para o console nacional.
Ao contrário de como costuma ser com os telemarketers brasileiros, o moço da
batata quente na boca foi bem solícito, paciente e até pediu desculpas pelo
inconveniente. Disse que pode ser que a Microsoft permita a troca de consoles
americanos no futuro, mas que até o momento esse é o procedimento que ele pode
informar ao cliente. É uma atitude ridícula da Microsoft e, até onde sei,
ilegal, pois se o produto existe aqui, ela tem que dar suporte a ele,
independente de onde o cliente comprou. Poderia ir ao Procon, mas isso levaria
meses e, sinceramente, não quero ficar tanto tempo sem videogame.
O próximo passo então era ligar para uma das lojas da maldita Ifigênia (que,
aliás, não existe um consenso se é escrita assim ou “Efigênia”, até as placas
da própria rua variam a grafia – coisas que só acontecem no Brasil). Escolhi a
loja que me parecia mais profissional e liguei. O cara perguntou o código do
erro. Hein?
Aparentemente, tem um código secreto que você faz no aparelho para ter mais
informações sobre as três luzes vermelhas. Fiz o código e o cara disse que era
o erro 0022, problema na GPU e que não tinha conserto. Completou dizendo para
eu não acreditar em quem dissesse que poderia consertar.
Liguei para outra loja, que me explicou que esse código diz apenas onde está o
erro, mas que ainda assim pode ser coisa simples. Ou seja, sabemos que é um
problema na GPU, mas pode ser apenas uma pecinha que saiu do lugar. Ok, isso
faz sentido para mim. Deixei meu console com eles e pediram o prazo de sete
dias para o orçamento.
Algumas coisas me preocupam nessa história:
1 – O console vai ser mexido para o conserto. Isso não vai fazer com que eu
seja banido da Live? Pelo que me falaram não, pois eles banem apenas alterações
no software.
2 – Como o console vai ser aberto por uma assistência técnica não autorizada,
eu provavelmente vou perder a garantia estendida, caso a Microsoft decida fazer
a coisa certa um dia e trocar os aparelhos defeituosos estadunidenses
residentes no Brasil.
3 – E se eu conserto e o mesmo erro aparece de novo? A internet está cheia de
relatos de pessoas que consertaram e que depois de algum tempo voltou a
acontecer. O cara disse que é difícil e que a loja dá garantia de seis meses
para o serviço. Considero isso um bom tempo de garantia e mostra que eles
confiam no seu taco. Ainda assim, não quero ter que passar por isso uma vez por
ano.
Pensei em abandonar o console de vez e comprar um dos outros dois, mas poxa, eu
tenho uns 20 jogos originais de 360, o que é um investimento considerável no
bichinho. Além disso, ainda tem mais três jogos a caminho e já pagos, um deles
o Guitar Hero III com a guitarra sem fio. Pô, comprar jogos e não poder jogar
nunca é uma droga. Sem falar toda a grana que eu investi no bichinho.
Sou contra a pirataria, mas isso dá vontade de desbloquear e não investir mais
nada nele. Afinal, eu tenho o console original, tenho nota fiscal da Wal-Mart
estadunidense, o que mostra que não é contrabando, tenho conta Gold na Live e
mais de 20 jogos. E ainda tenho um site que trata sobre games na internet e que
é acessado por centenas de milhares de pessoas mensalmente. A meu ver, eu sou
exatamente o tipo de consumidor que a Microsoft deveria querer manter. Até
porque eu estava disposto a pagar para que eles consertassem, apesar da
garantia estendida. Mesmo fazendo tudo certo, a gente se ferra. Por que tudo no
Brasil tem que ser mais difícil?
Quando meu videogame voltar, eu atualizo isso aqui para dar mais informações a
outros desesperados. Às vezes me surpreendo com quão bonzinho eu sou. Até lá,
incentivo todos a espalharem esse texto pelos fórums e demais áreas da internet
para levá-lo ao maior número de pessoas posível.
Atualizada 1 – 4/12/2007 – 12:45: ((Até uns meses atrás, todo mundo que conheço
que tinha um 360 estava feliz com ele. Desde então, parece que todos os
consoles morreram, como se a Microsoft tivesse mandado que isso acontecesse. É
muita morte no mesmo período, coincidência demais. Ainda hoje, encontrei com um
colega em uma cabine cujo console também morreu. Ontem falei com outro colega
que disse que seu videogame morreu, foi consertado e, dois meses depois, morreu
de novo.
A Microsoft coloca um produto bichado no mercado. Demora meses para perceber o
problema e finalmente assume, mas por que não fazer a coisa certa? Se um
brasileiro comprou o console nos States, isso não significa que ele não deve
receber suporte. Principalmente quando lembrarmos que o 360 nacional não é
fabricado aqui, nada mais é do que o americano importado oficialmente. A minha
opinião é que, uma vez que a besteira está feita (colocar algo podre no
mercado), uma empresa deveria fazer o possível para compensar o consumidor
prejudicado, não ficar criando regrinhas estúpidas para deixá-lo ainda mais
incomodado. Fiz as contas e, entre controles extras, guitarras de brinquedo e
meus mais de 20 jogos, investi mais de 2 mil dólares no meu 360, tudo em
produtos oficiais e legalizados, absolutamente NADA de contrabando.
Provavelmente iria continuar gastando essa quantia até o final dessa geração, o
que mostra que não é uma atitude financeiramente inteligente da Microsoft
impedir que eu conserte meu videogame. Ah, e além de tudo isso, eu tenho o
poder de contar esses problemas para centenas de milhares de brasileiros que
acessam o DELFOS mensalmente e que fazem parte EXATAMENTE do nicho que a
Microsoft atinge com seus videogames. Desnecessário dizer que muito lerão esse
texto e vão acabar indo para a concorrência para evitar sofrer esse tipo de
problema. Sinceramente espero que a Microsoft reveja sua atitude e faça a coisa
certa com os consumidores brasileiros. Falando por mim, eu nem estou bravo com
isso, mas me sinto extremamente desrespeitado, sobretudo depois de falar tanto
aqui no DELFOS sobre o console, indicando-o como o melhor da geração atual e
pregando contra a pirataria.))
Atualizada 2 – 4/12/2007 – 13:50: ((Acabo de enviar um e-mail para a assessoria
de imprensa do Xbox 360 para ver se consigo algo. Eles têm tradição de não
responder nossos e-mails (os do Judão também não), provavelmente por achar que
quem joga videogame é espectador assíduo do Jornal Nacional, não de sites como
o DELFOS. Se tiver uma resposta, colocá-la-ei neste espaço.))
Atualizada 3 – 4/12/2007 – 14:50: Recebi uma resposta da assessoria dizendo que
vão encaminhar a questão à Microsoft.
Atualizada 4 – 6/12/2007 – 10:15: ((Recebi um novo e-mail da assessoria
questionando o que falo acima sobre a “tradição em não responder nossos e-
mails”, dizendo que responderam prontamente quando receberam o anterior. Ok,
isso é verdade. Você pode ver pelos horários das últimas atualizadas que menos
de uma hora se passou entre o primeiro e-mail e a primeira resposta. A tradição
a que me refiro acima são os vários e-mails que mandei para eles entre os
lançamentos no Brasil dos jogos Forza e Halo 3. Como nenhum foi respondido
nesse período (apenas o primeiro, que respondi de volta e que então não foi
respondido), desisti de contatá-los até agora. A pessoa que me respondeu disse
que eu posso sempre entrar em contato com ele a partir de agora, então faço
votos que nossa relação com a assessoria de imprensa do Xbox 360 seja tão
frutífera de agora em diante como a que temos com as outras assessorias. E, é
claro, que esse problema do videogame seja resolvido.))
Após o contato com a assessoria da Microsoft, eles disseram que iriam me
ajudar, mas pediram para eu não colocar isso no site, pois seria uma exceção.
Não falaram para eu tirar o texto (até porque isso seria ilegal), nem nada
assim e foram realmente simpáticos e amigáveis.
Como eu falei no texto em questão, na ocasião de sua publicação, meu Xbox 360
estava em uma loja da Santa Efigênia, para orçamento. A assessoria sugeriu
cuidar do envio do meu videogame para os EUA e me disseram que em 10 dias úteis
eu estaria com ele novinho em folha. Como a gente sabe, ele estava na garantia,
o problema é que a garantia é local e eu tinha comprado o console através de
uma revenda estadunidense autorizada (nada de contrabando ou ilegal). Assim, eu
teria a garantia lá, mas não aqui no Brasil. A Microsoft, portanto, ajudaria
apenas com o transporte, já que enviar por conta própria, pelo correio, além de
não ter garantia de retorno, iria sair mais caro do que se comprasse outro.
Eles sabiam desde o início que o console já tinha sido aberto para orçamento e
essa ajuda foi uma proposta deles que eu, é claro, aceitei.
Combinamos de virem aqui em casa pegar a ordem de serviço da “assistência
técnica” que estava com o console e em seguida irem lá buscar. O
“transportador” que veio aqui me mostrou a to do list dele que continha algo
tipo “pegar na Sta Efigênia número X e levar para a número Y”. Isso me deixou
um tanto inseguro, mas o cara me garantiu que se referia a outra coisa. De
qualquer forma, me preocupou o suficiente para citar este detalhe aqui e deixar
possíveis conclusões para o leitor.
Eles pegaram o console e me confirmaram que estava tudo encaminhado. Assim, os
10 dias úteis passaram e nada. Depois de um grande atraso, finalmente a pessoa
da assessoria que estava cuidando do caso, teve alguma informação sobre meu
querido videogame moribundo. Ele disse que o videogame estava aberto, mexido,
com sei-lá-o-quê na placa e que por causa disso não iriam consertar. Mas, hein?
O.o
Até o momento em que eles pegaram o console na Efigênia, o cara nem tinha me
passado um orçamento. Ele provavelmente tinha aberto, mas não tinha autorização
para modificar nada. Ainda assim, não tinha nada que eu poderia fazer. É
possível que o cara tenha realmente bichado meu videogame ou quem sabe até ele
tenha sido levado para o tal outro número da rua que o bichou de vez. Como não
posso acusar nenhuma das partes com certeza, embora tenha achado tudo deveras
estranho, agradeci a ajuda da assessoria, que sugeriu que eu comprasse um
nacional. Na época, o nacional nem HDMI tinha, e custava o triplo do que
custaria se pegasse um Elite importado de forma particular e legalizada, como
fiz com o outro. Disse para o nosso amigo que estava considerando pegar um
Elite. Ele então disse que, se desse algum problema, para eu entrar em contato
com ele antes de qualquer coisa, pois tentaria me ajudar.
Isso me tranqüilizou e, embora eles não tenham cumprido a parte deles na
promessa (de arrumar o console), resolvi cumprir a minha e não atualizar mais o
texto em questão. Aliás, isso foi essencial para eu ter decidido comprar OUTRO
Xbox 360, ao invés de um PS3. Em algum momento de janeiro de 2008, já estava
com o meu Elite com o milagroso chip Falcon (ou seria uma placa? Sei lá, isso é
indiferente aqui), lutando para esquecer o trauma dos meses sem videogame, mas
com bastante receio de que acontecesse de novo.
Pois aconteceu. Sábado, 28 de junho de 2008. O demo de Lego Indiana Jones
apareceu na Live e o baixei imediatamente, pois era o próximo jogo que queria
comprar. Baixei e, uns dois minutos depois de começar a rodar, a tela ficou
cheia de pontinhos. Desesperado, desliguei o bicho, esperei alguns segundos e
liguei de novo. Apareceu na tela a mensagem “E74, contate a Microsoft”. Ao
mesmo tempo, a única luz vermelha que não acende nas 3RL (a do quarto
quadrante), piscava em vermelho. Esta é a página da Microsoft sobre o problema.
Como era sábado, e só podia contatar a assessoria na segunda, dei uma
pesquisada. Pelo que encontrei em fóruns, é um problema de vídeo, que poderia
ser do cabo ou do console. Testei com o cabo do console morto e deu na mesma.
Ou seja, era do console. Ou seja, meu Xbox 360 Elite com fabricação de novembro
de 2007 e o milagroso Falcon confirmado, deu 3RL em uns cinco meses (o anterior
pelo menos durou um ano). Ou melhor, deu 1RL. Falei com uma assistência técnica
e o cara disse que esse 1RL é um erro típico do Elite com placa Falcon (para
facilitar a redação, vamos supor que seja uma placa). O cara ainda disse que
constantemente pega Falcons para arrumar. E pior: quando dá 3RL no Falcon,
segundo o cara, é pior, mais difícil de arrumar, e mais caro. Ou seja, não tem
jeito. Falcon ou não Falcon, o Xbox 360 ainda é o videogame mais bichado da
história.
De qualquer forma, estava relativamente tranqüilo. Da outra vez, quase sem
contato prévio, a assessoria da Microsoft me ajudou (ou pelo menos tentou).
Dessa vez, o console nunca tinha saído da minha casa (ou seja, não foi mexido
nem aberto por ninguém), estava também na garantia e eu já sabia até com quem
falar na assessoria. Entrei em contato com o nosso amigo, que me agradeceu por
falar com ele antes de qualquer coisa, pediu para mandar um e-mail descrevendo
o problema e disse que iria falar com a MS e me retornaria.
Há muito aprendi que não se pode confiar em brasileiros. A coisa mais comum por
aqui é alguém dizer que pode contar com ele e, na hora que você realmente
precisa, dá para trás. Por causa disso, quando recebi a resposta, não me
surpreendi ao dar de cara com uma negativa, dizendo que a Microsoft avaliou meu
caso e não pode fazer nada por mim.
Ainda tentei conversar com ele, ver se não podia fazer alguma coisa, sugeri
comprar apenas o console nacional com garantia, já que não preciso de HD (tenho
dois!), controles (tenho três) cabos (já tenho dois de cada) e muito menos os
jogos do Kit nacional. Ele disse que falaria com a empresa para ver o possível
e me retornaria sem falta até quarta, 9 de julho. Este texto está sendo escrito
na quinta, 10, e até agora (e o momento desta publicação) – grande surpresa! –
nada.
Neste ponto, quero deixar claro uma coisa: a assessoria da Microsoft em nenhum
momento foi antipática ou grosseira comigo (assim como o atendente da empresa
também me tratou muito bem quando liguei para lá, conforme relatado no texto
anterior) e eu até acredito que eles tentaram ajudar da forma que podiam em
ambas as vezes. Só que, como assessoria, o máximo que eles podem fazer é
intermediar e, se a Microsoft não quer ajudar (veja bem, não é que não pode, é
que não quer, pois é óbvio que eles têm como arrumar ou trocar o console sempre
que quiserem), não tem muito que eles possam fazer além de tentar controlar os
danos do cliente em meio à imprensa.
Ok, as leis de garantia não EXIGEM que eles consertem ou resolvam os problemas
de clientes que compraram algo no exterior, mas também não impedem. Qualquer
pessoa com um pouco de maturidade (ou um semestre de marketing básico) sabe que
muitas vezes é melhor fazer algo que você não é OBRIGADO a fazer para deixar
outra pessoa – no caso, um cliente que gastava bastante em produtos originais –
feliz. Ainda mais no caso da Microsoft, que já está com sua imagem fragilizada
graças ao fato de ter colocado um produto prematuro e problemático no mercado.
O resultado é que eu estou com dois Xbox 360 comprados legalmente (inclusive no
segundo paguei mais de 400 reais em impostos de importação – e ainda assim saiu
metade do preço do kit nacional), algumas dezenas de jogos originais (inclusive
alguns bem caros – só em Rock Band paguei mais de R$ 1.000,00) e uma conta Gold
na Xbox Live, onde estou constantemente comprando músicas e jogos Arcade. Como
disse no texto anterior, a meu ver eu sou exatamente o tipo de cliente que a MS
deveria querer manter. Eu gasto bastante investindo no meu console, pois faço
questão de ajudar a indústria dos games a crescer aqui no Brasil. E isso deixa
ainda mais doloroso quando, apesar de tudo isso, quando você precisa de algo
tão simples, eles simplesmente cospem na sua cara.
Ah, sim. E eu sou jornalista, talvez a profissão que mais mereça o subtítulo de
“formador de opinião”. E eu tenho um site. E esse site é acessado por bastante
gente. E esse “bastante gente” é EXATAMENTE o público-alvo da Microsoft em
relação à linha de produtos Xbox 360. Sem falar que muita gente me considera
entendido no assunto e me procura para ajudar a decidir qual videogame comprar.
E mais, nossa linha editorial é 100% parcial. Ou seja, eu – e qualquer outra
pessoa – posso dar aqui minha opinião sincera sobre qualquer produto livre das
amarras da grande mídia que depende de anunciantes.
Essas são coisas que deveriam ter sido analisadas pela Microsoft. Talvez a
mixaria que ela gastaria arrumando meu problema devesse ter sido encarado como
um investimento, pois sem dúvida é inferior aos danos que um texto como esse
pode causar. Claro, não estou tendo delírios de grandeza. A Microsoft é a maior
empresa do mundo e deve até saber o que significa FNORD. Qualquer dano que o
DELFOS cause nela vai ser mínimo (e eu nem quero causar danos, estou escrevendo
este texto apenas para responder às dúvidas do público). Ainda assim, são
maiores do que os de um cliente normal. Afinal, além de eu ser um cliente
normal e honesto, que investia uma boa quantia mensal no seu videogame, ainda
tenho condições de falar a boa parte do público-alvo da empresa. E tenho
certeza que algumas pessoas que lerem isso vão pensar duas vezes antes de
comprar seu Xbox 360 – e os que já compraram, principalmente achando que o tal
Falcon resolveria tudo, vão ficar com uma pulga atrás da orelha.
Agora que contamos tudo que aconteceu, vamos à parte opinativa e aos passos
para o futuro. A Microsoft perdeu completamente a minha confiança, não apenas
nos videogames, mas em absolutamente qualquer produto. Eu tenho hoje um teclado
e um mouse da marca, mas se um dia quebrarem ou derem problemas, eu sem dúvida
vou preferir comprar um Logitech para substituí-los.
Quanto ao videogame, eu devo arrumá-lo em alguma assistência técnica não
credenciada (ou faço isso ou uso o bicho como peso de papel), mas nunca mais
vou comprar absolutamente nada para ele, nem jogos, nem acessórios. No dia
seguinte ao problema relatado aqui, comprei um Wii e é possível que compre um
PS3 no futuro para atender minhas necessidades mais hardcore. Contudo, meu Xbox
360 será usado a partir de agora apenas para jogar o que eu já tenho.
Além disso, sempre que alguém me consultar para saber qual comprar, a dúvida
vai ficar entre o PS3 e o Wii (nem nas gerações futuras vou indicar ou
considerar comprar algo da MS). A Sony pode não estar nem aí para lançar seus
videogames por aqui, mas pelo menos não cuspiu na cara de um cliente fiel duas
vezes!
Gostaria de tranqüilizar aqueles que já fizeram a besteira de comprar um 360 (e
de comprar um monte de jogos originais), mas tudo que tenho a dizer é: senta e
chora, meu amigo. O que você tem ligado na TV é uma bomba-relógio. Aproveita
enquanto pode e recomendo não gastar mais nem um centavo nele. A questão não é
SE ele vai quebrar, mas QUANDO. Pelo menos se for o nacional, você vai poder
arrumá-lo repetidamente durante três anos (todo mundo que conheço nessa
situação tem que mandar o console de volta a toda hora, de tanto que ele
quebra), embora depois disso seja por sua conta. Se você importou por conta
própria, como eu: danou-se, pois a MS não se importa com seus clientes a não
ser que a lei a obrigue a repará-los. Como a gente ficou nessa brecha de
desamparados, somos obrigados a chorar mais ainda, mesmo não tendo feito nada
de errado, nem legalmente nem moralmente. Se seu console for contrabando, aí é
outra história. É um produto ilegal e pronto, mas não é o meu caso e também não
conheço ninguém nessa situação.
A taxa de falha divulgada do produto é de altíssimos 30%, mas isso é
praticamente fictício, pois na vida real está próximo é de 100%. Eu conheço
muita gente que tem o 360 (a maioria, infelizmente, por indicação minha).
Nenhum deles teve o console livre de defeitos por mais que um ano. Os poucos
que ainda têm o bicho em perfeito estado de funcionamento (como o Homero, aqui
do site), compraram o dito-cujo há poucos meses. E veja o meu caso: dois
consoles mortos em menos de um ano e meio. Sabe quantos Mega-Drives, Saturns e
Master Systems eu comprei, em quase 20 anos de jogatina? Um de cada! E todos
eles ainda funcionam perfeitamente e são ocasionalmente ligados para uma sessão
nostalgia! De nada adianta jogos legais se a máquina quebra em poucos meses.
Infelizmente, essa minha postura de não comprar mais nada de Xbox 360 vai se
refletir também nas matérias delfianas, pois vou ficar impossibilitado de jogar
e peço desculpas aos proprietários do console, ao mesmo tempo em que prometo
fazer o possível para tentar compensar isso (nem que seja jogando os games em
outras plataformas, quando estiverem disponíveis). O lado bom é que você pode
esperar um aumento considerável de resenhas e notícias de jogos do Wii e, no
futuro, até de PS3. Pois se até o momento, o DELFOS, como um todo, se
manifestava a favor do Xbox 360 em detrimento dos outros (aqui e aqui, por
exemplo), isso vai mudar – e qualquer um é capaz de compreender o valor de um
apoio espontâneo como este, que a Microsoft se esforçou tanto para jogar fora.
Como um site opinativo (e considerando que opiniões são mutáveis), temos
direito de fazer isso. Hoje vamos apoiar os outros em detrimento do Xbox 360,
simplesmente porque me recuso a continuar investindo dinheiro para ajudar na
divulgação de uma empresa que coloca produtos inacabados no mercado e não se
importa em reparar seus erros ajudando os clientes honestos.
Só é importante ressaltar que isso não é um boicote. Caso tenhamos acesso a
novos jogos do console que mereçam ser resenhados (vai que alguém faz uma
doação ou se o público participar com seus próprios textos), eles serão
publicados. Para falar a verdade, temos mais umas duas resenhas já prontas de
jogos para o console, que vão sair de qualquer jeito. Da mesma forma, uma ou
outra notícia sobre o bicho ainda deve aparecer por aqui, assim como jogos de
grandes franquias, como o GTA, que apenas serão analisados em suas outras
versões.
De forma alguma esse texto deve ser encarado como uma vingança contra a
Microsoft, pois não é o caso. Até porque tenho noção da minha insignificância
em meio ao império do Bill Gates. Encare isto apenas como um cliente
insatisfeito expondo sua opinião para centenas de milhares de amigos que, por
acaso, são exatamente o público-alvo do produto. Por outro lado, como
jornalista com um público interessado (como fica claro pelas dezenas de e-mails
semanais sobre o assunto que recebo), me vejo na obrigação de contar esta
história. A meu ver, adiei muito para tornar o assunto público.
Com isso, coloco um ponto final nisso tudo e bola pra frente. Se acontecer mais
alguma coisa, esse texto será atualizado, mas não espere por isso. Como sempre,
incentivo os delfonautas a espalharem o link desta matéria internet afora para
que mais pessoas tenham acesso à situação. Inclusive, em nome da nossa famosa
Imparcialidade Parcial, vou enviar este link para a assessoria da Microsoft
(pois acho importante que tenham conhecimento da existência deste texto) e, se
a empresa quiser um direito de resposta, terei prazer em publicá-lo neste
espaço ou em criar um arquivo específico para isso. Então se mantenha
delfonado!
Atualizada 1 – 4/8/2008: Mais um defeito apareceu no meu Xbox 360, já
“arrumado”. Ele agora não conecta mais na Live, pois não reconhece que o cabo
de rede está conectado. Segundo a assistência, teria que trocar a peça, mas ele
não tem como fazer isso, pois precisaria pegar a dita-cuja de outro Falcon.
Como meu falecido console anterior não é Falcon, eu não posso utilizá-lo nem
para isso.
Atualizada 2 – 3/12/2008: Só para colocar um ponto final na história. Algumas
semanas depois de arrumado, o E74 voltou. Arrumou de novo e voltou de novo.
Finalmente, o técnico disse que não tinha jeito e me devolveu o dinheiro. Ou
seja, o E74 é um problema sem solução, o máximo que dá para fazer é voltar a
funcionar por mais um tempinho.
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